A Comissão Europeia publicou o relatório 'Building Food 2040: Stakeholder Input for the new EU R&I Strategic Agenda for Food Systems', que reúne os resultados de uma consulta realizada em março de 2026 para recolher contributos para a futura agenda estratégica europeia de investigação e inovação (I&I) para os sistemas alimentares. O documento analisa 631 respostas a um inquérito e 63 contributos escritos de diferentes intervenientes do setor.
A consulta envolveu representantes da investigação e academia, organizações agrícolas, indústria, autoridades públicas, organizações não governamentais (ONG), sociedade civil e cidadãos. Os resultados mostram um forte reconhecimento da abordagem sistémica introduzida pela Food 2030, mas também identificam áreas em que a futura agenda Food 2040 poderá reforçar a ligação entre prioridades de investigação e inovação, implementação, impactos mensuráveis e aplicação dos resultados nas políticas, nas empresas e no mercado.
A redução dos impactos ambientais e climáticos dos sistemas alimentares surge como a prioridade mais valorizada no inquérito, selecionada por 46,4% dos participantes. O relatório destaca, neste âmbito, atividades posteriores à produção agrícola, incluindo transformação, embalagem, transporte, comércio, consumo e redução do desperdício alimentar.
Segue-se a melhoria da saúde humana através de hábitos alimentares mais saudáveis, apontada por 44,7% dos inquiridos. Os contributos escritos associam esta prioridade à diversificação das fontes de proteína e ao desenvolvimento e expansão de proteínas de origem vegetal e de outras alternativas às fontes de origem animal.
A resiliência e a autonomia estratégica dos sistemas alimentares constituem a terceira prioridade mais selecionada, com 44,1%. Os participantes defenderam o reforço da capacidade de resposta a crises e a redução de dependências de importações críticas, nomeadamente de alimentos para animais, ingredientes, aditivos e micronutrientes.
Entre as restantes prioridades destacam-se a adoção de soluções baseadas na natureza e de práticas agroecológicas, com 32,2%, e a promoção de mudanças comportamentais que permitam aos cidadãos adotar dietas acessíveis, saudáveis e sustentáveis, com 29,6%.
As respostas abertas identificaram ainda a diversificação de proteínas e a transição para proteínas de origem vegetal, a economia circular e a circularidade das cadeias de valor, bem como a autonomia estratégica e a resiliência dos sistemas alimentares locais como áreas que devem ganhar maior expressão até 2040.
No domínio da circularidade, os participantes salientaram a valorização dos resíduos alimentares, a eficiência na utilização dos recursos e a necessidade de dar maior visibilidade a estas matérias no futuro quadro de investigação e inovação. Já no âmbito da autonomia estratégica, foram apontados o reforço das cadeias de abastecimento regionais e curtas, das infraestruturas descentralizadas e dos sistemas alimentares locais.
O relatório identifica também a necessidade de reduzir o chamado ‘vale da morte’ entre a investigação e a aplicação prática de soluções inovadoras. Para isso, os participantes defendem uma maior atenção às fases de demonstração, expansão, implementação e adoção pelo mercado, de forma a facilitar a passagem dos resultados da investigação para aplicações em escala.
Neste contexto, os contributos apontam para a importância de procedimentos regulamentares previsíveis, acesso a financiamento e infraestruturas industriais adequadas. É igualmente defendido um reforço da ligação entre o financiamento da investigação e inovação e infraestruturas como unidades-piloto, instalações de demonstração, capacidade de bioprodução, estruturas de valorização circular de resíduos e instalações partilhadas entre entidades públicas e privadas.
O relatório salienta ainda que a participação de fabricantes e transformadores de alimentos, operadores logísticos, retalhistas e outros intervenientes a jusante da produção agrícola deverá ser reforçada nas futuras consultas e fases de implementação. Na consulta analisada, os fabricantes e transformadores de alimentos representaram 6,7% dos participantes, enquanto os retalhistas, distribuidores e operadores logísticos corresponderam a apenas 0,3%.
A futura agenda Food 2040 pretende, assim, dar continuidade à abordagem sistémica da Food 2030, adaptando-a à evolução dos contextos político, económico, ambiental e geopolítico e reforçando as ligações entre ciência alimentar, inovação, indústria, políticas públicas e cidadãos.

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