A Science 351 está a desenvolver, no âmbito do projeto Sea-Film, uma nova geração de embalagens alimentares biodegradáveis concebidas para se degradarem em contacto com a água do mar. A iniciativa pretende responder aos desafios ambientais associados à acumulação de resíduos plásticos nos oceanos, através da utilização de materiais de origem renovável e da valorização de resíduos agroflorestais.
O projeto tem como objetivo criar filmes poliméricos flexíveis destinados, numa primeira fase, ao acondicionamento de alimentos secos, como bolachas e snacks. A solução recorre à etilcelulose, um polímero de origem natural derivado da celulose, complementado com outras moléculas de base natural para reforçar as propriedades mecânicas e de barreira necessárias à conservação dos alimentos.
De acordo com informação divulgada pela Science 351 e pelo Compete 2030, a tecnologia foi desenvolvida para combinar desempenho industrial com sustentabilidade. Para além da resistência à humidade, aos óleos e aos gases e da estabilidade térmica, as embalagens incorporam componentes naturais com propriedades antioxidantes, contribuindo para prolongar o período de conservação dos alimentos.
Uma das principais características da solução é o mecanismo de autodegradação em ambiente marinho. Quando entram em contacto com a água do mar, as bioembalagens iniciam um processo de degradação que conduz à sua transformação em compostos naturais, evitando a formação de microplásticos e reduzindo o impacto ambiental associado ao descarte acidental no oceano.
Segundo Andreia Alves, responsável pelo projeto, em declarações ao Compete 2030, o Sea-Film foi concebido para conciliar as exigências da conservação alimentar com a biodegradabilidade em meio marinho, através de uma solução compatível com os processos industriais de produção de filmes flexíveis.
Os protótipos desenvolvidos foram testados em laboratório, tendo demonstrado propriedades mecânicas adequadas, desempenho eficaz como barreira e capacidade de conservação alimentar. Paralelamente, a tecnologia foi concebida para facilitar a sua integração em processos industriais existentes, favorecendo uma futura produção em maior escala.
O projeto, designado ‘Sea-Film – Desenvolvimento de Filmes Poliméricos Flexíveis de Etilcelulose para Bioembalagem com capacidade de auto-degradação em água do mar’, é promovido pela Science 351 – Disruptive & Sustainable R&D Innovations, Lda. e conta com um investimento total de 643.436 euros. A iniciativa é cofinanciada pela União Europeia através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), no âmbito do Compete 2030, com um apoio financeiro de 497.125,45 euros, correspondente a uma taxa de cofinanciamento de 77,26%.

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