Neste contexto, aspetos que, até há poucos anos, desempenhavam um papel secundário – como a capacidade elétrica disponível, a estabilidade do fornecimento e a flexibilidade energética – começam a assumir uma importância estratégica para garantir a continuidade operacional e a competitividade logística.
Com base na sua experiência em projetos de gestão energética para ambientes comerciais e industriais, a Wattkraft Iberia, Value Added Partner da Huawei para a distribuição do portefólio de produtos FusionSolar, identifica cinco aspetos-chave que vão marcar a evolução energética das plataformas logísticas nos próximos anos:
Muitas plataformas logísticas foram desenvolvidas num contexto operacional muito diferente do atual, com menores necessidades de automatização, menor presença de sistemas robotizados e sem considerar cenários de eletrificação em larga escala. No entanto, o crescimento de tecnologias como os sistemas automatizados de picking, a refrigeração industrial avançada, a inteligência artificial aplicada às operações ou o carregamento simultâneo de veículos elétricos está a alterar rapidamente o perfil energético do setor.
Por isso, uma das principais prioridades passa por conceber infraestruturas capazes de absorver aumentos progressivos da procura energética, sem que isso obrigue à realização constante de ampliações ou modificações críticas na instalação elétrica.
O aumento da complexidade torna cada vez mais difícil operar instalações industriais de forma otimizada recorrendo apenas a modelos tradicionais de consumo elétrico. A coexistência de múltiplos ativos energéticos, como sistemas fotovoltaicos, baterias, carregadores para veículos elétricos ou maquinaria industrial de elevada intensidade energética, obriga à monitorização e gestão dos consumos de forma dinâmica e centralizada, de modo a garantir o melhor desempenho em cada momento.
Neste contexto, os sistemas EMS permitem coordenar automaticamente a produção, o armazenamento e o consumo de energia da instalação, priorizando recursos em função das necessidades operacionais, dos custos energéticos ou da disponibilidade de geração renovável. Este tipo de soluções está a consolidar-se progressivamente em ambientes comerciais e industriais onde existe uma maior necessidade de automatização e controlo operacional.
Além de otimizar os consumos, estas ferramentas proporcionam uma maior visibilidade sobre o comportamento energético das instalações, facilitando a tomada de decisões e permitindo identificar ineficiências, sobrecargas ou padrões de consumo que anteriormente eram difíceis de detetar – uma área em que a Wattkraft tem vindo a trabalhar de forma consistente no segmento C&I.
O armazenamento de energia está a deixar de ser visto apenas como uma ferramenta de apoio ou reserva para se tornar um elemento operacional cada vez mais relevante nos ambientes industriais e logísticos.
A possibilidade de armazenar energia em períodos de menor procura ou de aproveitar excedentes provenientes de instalações fotovoltaicas permite redistribuir o consumo de forma mais eficiente e reduzir a exposição a picos de procura elétrica. Esta capacidade é particularmente importante em plataformas com elevada simultaneidade de operações ou com processos críticos que exigem estabilidade energética contínua.
Além disso, tecnologias como o peak shaving permitem utilizar a energia armazenada para atenuar os momentos de maior consumo, reduzindo a pressão sobre a infraestrutura elétrica e evitando custos adicionais associados à potência contratada. Neste tipo de projetos, a Wattkraft trabalha com soluções de armazenamento e gestão energética orientadas para aumentar a flexibilidade operacional e otimizar a utilização da energia em instalações comerciais e industriais.
A eletrificação do transporte logístico e da distribuição de última milha representa um dos principais desafios energéticos para o setor nos próximos anos. A instalação de carregadores rápidos ou ultrarrápidos implica necessidades significativas de potência elétrica que, em muitos casos, as infraestruturas atuais não foram concebidas para suportar. Além disso, o carregamento simultâneo de frotas pode gerar fortes pressões sobre a rede em determinados períodos operacionais, caso não exista uma gestão energética adequada. Por esse motivo, o setor está a evoluir para modelos que combinam carregamento inteligente, armazenamento de energia e gestão dinâmica da procura, com o objetivo de otimizar a utilização da energia disponível.
Esta abordagem não só permite reduzir o impacto sobre a rede elétrica, como também melhorar a eficiência das operações e facilitar futuras expansões da infraestrutura sem necessidade de realizar investimentos desproporcionados em reforços elétricos.
A crescente dependência energética das operações logísticas está a fazer com que a energia deixe de ser considerada apenas um custo operacional para passar a assumir um papel estratégico no planeamento industrial e logístico.
A capacidade de uma plataforma para se adaptar a novas necessidades energéticas, integrar tecnologias emergentes ou manter a estabilidade operacional perante eventuais incidentes elétricos terá um impacto cada vez maior na sua competitividade, na sua capacidade de crescimento e na sua atratividade para operadores e investidores.
“A automatização e a eletrificação estão a aumentar significativamente a complexidade energética de muitas plataformas logísticas. Na Wattkraft, observamos cada vez mais projetos em que o desafio já não passa apenas por dispor de potência suficiente, mas por garantir que o armazenamento de energia, o autoconsumo, o carregamento elétrico e o consumo industrial funcionem de forma coordenada e eficiente dentro da mesma infraestrutura”, conclui Jaime Amor Carmona, business development manager Spain da Wattkraft Iberia.

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