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Novos acordos reforçam o comércio, o investimento e a cooperação em setores estratégicos

União Europeia e México concluem processo de modernização da cooperação bilateral

16/06/2026
A União Europeia e o México formalizaram uma nova etapa nas suas relações económicas e políticas com a assinatura do Acordo Global Modernizado (MGA) e do Acordo Comercial Provisório (iTA), alcançados durante a VIII Cimeira UE-México, realizada na Cidade do México, a 22 de maio.
Ambos os instrumentos atualizam o quadro bilateral em vigor desde o início do século e introduzem novas disposições destinadas a facilitar o comércio, reforçar o investimento, tornar mais resilientes as cadeias de abastecimento e aprofundar a cooperação em domínios estratégicos com impacto em numerosos setores produtivos de ambos os lados do Atlântico.
António Costa, presidente do Conselho Europeu; Claudia Sheinbaum, presidente do México; e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia...
António Costa, presidente do Conselho Europeu; Claudia Sheinbaum, presidente do México; e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.

Uma nova etapa nas relações económicas entre a Europa e o México

A assinatura de ambos os acordos põe termo a um longo processo de negociação iniciado em 2016, com o objetivo de atualizar o acordo de associação económica, coordenação política e cooperação celebrado entre as duas partes em 1997, cuja vertente comercial entrou em vigor em 2000. Após mais de duas décadas de vigência, Bruxelas e a Cidade do México decidiram adaptar este quadro a uma realidade económica profundamente diferente, marcada pela digitalização, pela transição energética, pelo aumento das exigências regulamentares e pela crescente fragmentação do comércio internacional.

O novo Acordo Global Modernizado (MGA) constitui o principal instrumento desta renovação e terá ainda de ser ratificado por todos os Estados-Membros da União Europeia, de acordo com os respetivos procedimentos nacionais. Paralelamente, as duas partes acordaram um instrumento provisório, designado iTA, cuja aprovação dependerá exclusivamente das instituições europeias e vai permitir antecipar alguns dos efeitos comerciais enquanto decorre o processo de ratificação do acordo principal.

O México ocupa atualmente uma posição particularmente relevante na estratégia externa da União Europeia. Com uma população de cerca de 131 milhões de habitantes, o país é a segunda maior economia da América Latina e a décima terceira a nível mundial, o que o torna um dos parceiros prioritários de Bruxelas na região e um mercado de grande importância para a internacionalização das empresas europeias.

A dimensão económica da relação bilateral reflete essa relevância estratégica. De acordo com dados divulgados pela Comissão Europeia, as trocas comerciais entre ambas as partes atingiram, em 2025, um volume de 86,8 mil milhões de euros em bens, aos quais se somam mais 29,7 mil milhões de euros relativos ao comércio de serviços registado em 2024. A União Europeia é atualmente o segundo mercado de exportação do México e o seu terceiro parceiro comercial à escala mundial. Por sua vez, o México ocupa a segunda posição entre os parceiros latino-americanos da União, apenas atrás do Brasil.

A presença empresarial europeia no mercado mexicano também adquiriu um peso significativo nas últimas décadas. Mais de 43 mil empresas europeias exportam atualmente para o país norte-americano e outras 11 mil mantêm operações permanentes em território mexicano. Bruxelas recorda ainda que o comércio bilateral quadruplicou nos últimos 25 anos, uma evolução que ajuda a explicar o interesse de ambas as partes em atualizar as regras comerciais, industriais e regulamentares que enquadram esta relação económica.

O acordo alcançado vai além do mero intercâmbio comercial, uma vez que incorpora objetivos relacionados com a segurança económica e com o reforço da resiliência das cadeias internacionais de abastecimento. Tanto a Comissão Europeia como o Governo mexicano identificaram como prioridade o fortalecimento de setores considerados essenciais para as transições ecológica e digital, procurando simultaneamente reduzir vulnerabilidades num contexto internacional marcado pelo agravamento das tensões geopolíticas, pela incerteza regulamentar e por uma tendência crescente para o protecionismo comercial.

A abrangência do acordo permite antecipar impactos diretos num conjunto muito alargado de atividades económicas. A documentação divulgada pela Comissão Europeia identifica entre os principais setores beneficiados o agroalimentar, a indústria da carne e dos produtos lácteos, a indústria automóvel, a maquinaria industrial, os produtos farmacêuticos, os dispositivos médicos, os serviços empresariais, financeiros e digitais, os transportes, a contratação pública, as tecnologias limpas, as matérias-primas críticas, a economia circular e diversas áreas ligadas à transição energética e à digitalização industrial.

Agroalimentar, bebidas e produção agrícola

Uma das áreas em que o novo acordo deverá ter um impacto mais imediato é o setor agroalimentar europeu. O México vai eliminar progressivamente uma parte significativa dos direitos aduaneiros que atualmente incidem sobre numerosos produtos comunitários, facilitando assim a entrada de alimentos transformados e produtos agrícolas que, até agora, estavam sujeitos a encargos aduaneiros consideravelmente elevados.

Entre os produtos que vão beneficiar desta abertura comercial encontram-se a massa, o chocolate, os produtos de pastelaria e confeitaria, os queijos, os produtos de origem suína, as aves de capoeira, os ovos e diversas conservas.

O acordo prevê ainda a proteção de mais 336 indicações geográficas europeias associadas a vinhos, cervejas e produtos alimentares, bem como o reconhecimento de outras 232 bebidas espirituosas, reforçando a proteção comercial de produtos agroalimentares com elevado valor acrescentado.

O acordo facilita as exportações para o México e deve beneficiar numerosas empresas da União Europeia, em particular as que produzem e comercializam produtos agroalimentares, maquinaria, combustíveis minerais e derivados, produtos farmacêuticos e equipamento de transporte.

Indústria automóvel, maquinaria e indústria transformadora

A modernização do acordo introduz igualmente melhorias relevantes para vários segmentos industriais ligados ao fabrico avançado. Um dos setores diretamente beneficiados será o automóvel, uma vez que o novo quadro vai facilitar a exportação europeia de componentes automóveis graças ao reconhecimento de normas internacionais de homologação, nomeadamente as associadas ao sistema UNECE, amplamente utilizado nos mercados internacionais.

A maquinaria industrial surge igualmente entre as atividades favorecidas pela nova parceria comercial. A Comissão Europeia destaca que a simplificação das regras de origem vai permitir a numerosos fabricantes europeus aceder ao mercado mexicano em condições preferenciais, enquanto a redução das barreiras técnicas e o reforço da cooperação regulamentar contribuirão para agilizar as trocas comerciais entre as duas economias.

Indústria farmacêutica e tecnologias da saúde

A indústria farmacêutica figura entre os setores expressamente identificados na documentação comunitária como um dos principais beneficiários do acordo. Neste domínio, a atualização do quadro bilateral vai simplificar as regras específicas de origem aplicáveis a diferentes produtos farmacêuticos, um aspeto particularmente relevante para empresas integradas em cadeias internacionais de abastecimento cada vez mais complexas.

A par do setor farmacêutico, o acordo contempla também vantagens concretas para os fabricantes de dispositivos médicos. Além de manter o atual regime de isenção de direitos aduaneiros, as empresas europeias poderão reduzir os custos administrativos associados aos procedimentos aduaneiros e aceder em melhores condições ao mercado mexicano de produtos remanufaturados ou reparados.

A cooperação técnica entre ambas as partes no âmbito de organismos internacionais de normalização deve igualmente contribuir para tornar mais fluida a atividade comercial no setor da saúde.

Os acordos vão contribuir para reforçar o diálogo político e a cooperação entre a União Europeia e o México, criando novas oportunidades em áreas como o comércio, o investimento e as tecnologias limpas, ao mesmo tempo que fortalecem as cadeias de abastecimento e apoiam os objetivos climáticos de ambas as partes.

Serviços, digitalização e investimento empresarial

O novo quadro de cooperação abre novas oportunidades no domínio dos serviços, uma área que até agora tinha um desenvolvimento mais limitado no âmbito da relação bilateral. O acordo vai facilitar a prestação de serviços empresariais, financeiros, logísticos, profissionais e de transporte por parte de empresas europeias em território mexicano, garantindo condições de concorrência equivalentes às das empresas nacionais.

A digitalização constitui outro dos pilares desta nova fase de cooperação. As duas partes acordaram reduzir as barreiras associadas ao comércio eletrónico, aprofundar a cooperação em matéria digital e relançar o Diálogo Digital UE-México, com o objetivo de impulsionar projetos ligados à inovação tecnológica, à regulação digital e às tecnologias emergentes.

A isto junta-se a abertura do mercado mexicano da contratação pública, que permitirá às empresas europeias participar em concursos públicos, incluindo parcerias público-privadas e contratos promovidos por catorze estados mexicanos.

Energia, sustentabilidade e cadeias de abastecimento estratégicas

A transição energética e a sustentabilidade constituem outro dos principais eixos do acordo. No âmbito da estratégia europeia Global Gateway, as duas partes associaram a sua cooperação a um pacote de investimentos superior a 5 mil milhões de euros, destinado a projetos estratégicos em áreas como a energia, os transportes sustentáveis, a saúde, a economia circular, a agricultura sustentável, a conectividade digital, a água, o saneamento e a proteção da biodiversidade.

Particular relevância assume a cooperação em torno das matérias-primas críticas, essenciais para apoiar as transições industrial, energética e tecnológica promovidas pela União Europeia. A Comissão Europeia destaca o papel do México como um dos principais fornecedores de determinados minerais e matérias-primas necessários para tecnologias limpas, baterias, eletrificação industrial e outras aplicações associadas à descarbonização.

O novo quadro pretende precisamente reforçar cadeias de abastecimento mais seguras, diversificadas e menos dependentes de um número reduzido de fornecedores.

Uma aliança assente em compromissos regulamentares e garantias jurídicas

Além das disposições destinadas a facilitar o comércio e o investimento, o Acordo Global Modernizado estabelece um conjunto de obrigações vinculativas que abrangem diferentes domínios regulamentares da relação bilateral.

Entre estas contam-se disposições relacionadas com os direitos dos trabalhadores, a proteção ambiental, o combate à corrupção e requisitos associados à responsabilidade empresarial, todas sujeitas a mecanismos específicos de supervisão e resolução de litígios entre as duas partes.

O texto acordado entre Bruxelas e a Cidade do México inclui igualmente uma Declaração Conjunta sobre Comércio e Igualdade de Género, através da qual ambas as economias assumem compromissos destinados a promover uma participação mais ampla das mulheres na atividade económica e a reforçar a igualdade de oportunidades no contexto empresarial.

Paralelamente, o acordo alarga a proteção da propriedade intelectual europeia no mercado mexicano, reforçando os direitos associados a patentes, marcas, desenhos industriais, direitos de autor e outras formas de proteção ligadas à inovação e às indústrias criativas.

A União Europeia e o México deram um passo significativo no reforço da sua parceria com a assinatura do Acordo Global Modernizado e do Acordo...
A União Europeia e o México deram um passo significativo no reforço da sua parceria com a assinatura do Acordo Global Modernizado e do Acordo Comercial Provisório.

Apoio político ao novo acordo

A relevância política dos acordos ficou patente nas declarações dos principais representantes institucionais europeus presentes na cimeira. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a assinatura destes instrumentos reflete uma visão comum para o futuro e vai permitir impulsionar o comércio, o investimento e o crescimento económico, ao mesmo tempo que aprofundará a cooperação em áreas como a sustentabilidade, os direitos humanos e a igualdade de género.

Na mesma linha, a Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, classificou o México como um parceiro estratégico fundamental para a União Europeia e defendeu que os acordos alcançados ultrapassam a dimensão estritamente comercial, assumindo uma relevância geopolítica que vai além do plano económico.

Por sua vez, o comissário europeu para o Comércio e a Segurança Económica, Maros Sefcovic, recordou que o comércio bilateral quadruplicou nos últimos 25 anos e sublinhou que a nova parceria contribuirá para reforçar a competitividade das empresas, criar novas oportunidades de investimento e aumentar a estabilidade das cadeias internacionais de abastecimento em setores estratégicos para ambas as economias.

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