Estudo da EY-Parthenon, para a Lusomorango e para a Driscoll’s, mostra que a fileira gerou 34.369 empregos, €629 milhões em remunerações e €276 milhões em receita fiscal em 2025, ao longo de toda a sua cadeia de valor
As conclusões constam do estudo “Plano de Impactos da Produção e Comercialização de Pequenos Frutos”, desenvolvido pela EY-Parthenon, apresentado no dia 12 de junho, na Feira Nacional de Agricultura, na presença do Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, e do Presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, Álvaro Mendonça e Moura.
Promovido pela Lusomorango, a maior organização de produtores nacional do setor das frutas e legumes (em volume de negócios), e pela Driscoll’s, marca pioneira na investigação e desenvolvimento dos melhores pequenos frutos do mundo, presente há duas décadas em Portugal, o relatório analisa a evolução e o impacto económico desta fileira em Portugal, medindo os efeitos diretos, indiretos e induzidos da atividade no Valor Acrescentado Bruto (VAB), emprego, remunerações e receita fiscal.
O setor dos pequenos frutos consolida-se, assim, como uma das fileiras agrícolas mais dinâmicas e exportadoras da economia portuguesa. Em dez anos, a produção nacional mais do que triplicou, passando de 27,6 mil toneladas em 2015 para 91,4 mil toneladas em 2025, confirmando Portugal como produtor de referência em culturas de elevado valor acrescentado.
De acordo com o estudo, a produção nacional de pequenos frutos atingiu €580 milhões em 2025, o que representa um crescimento de 72,6% face a 2020. Para 2026, a projeção aponta para um recorde de valor de €645 milhões. Este crescimento tem sido impulsionado sobretudo pela expansão da framboesa, da amora e do mirtilo, culturas que representam a maior parte do aumento do volume de negócios do setor desde 2020.
Joel Vasconcelos, CEO da Lusomorango, afirma: “Os pequenos frutos são hoje uma das fileiras mais dinâmicas da agricultura portuguesa, com escala e capacidade exportadora. Estamos perante um setor que é muito mais do que a produção agrícola: é uma fileira económica estruturante, com capacidade para gerar riqueza, emprego, rendimento e receita fiscal em Portugal. É um setor que nasce no território, mas cujo impacto se multiplica por toda a economia. O aprofundamento do conhecimento sobre o contributo económico, social e territorial da produção de pequenos frutos em Portugal permite apoiar a necessária reflexão sobre as condições necessárias ao crescimento sustentável da fileira”.
As remunerações associadas ao setor atingiram €629 milhões em 2025 no total (dos quais €247 milhões são salários diretos), quase duplicando face a 2020, ano em que se situavam nos €351 milhões. Ou seja, 60% deste impacto resulta de efeitos indiretos e induzidos, o que evidencia a capacidade da fileira para distribuir rendimento para além do núcleo produtivo agrícola.
Também a receita fiscal acompanha a trajetória de crescimento do setor. Em 2025, os pequenos frutos geraram €276 milhões em impostos e contribuições sociais (€96 milhões quando considerada apenas a atividade produtiva), com projeção de €298 milhões em 2026. Entre 2020 e 2026, a receita fiscal gerada pelo setor deverá aumentar, em média, 8,9% ao ano, com forte contributo da TSU, do IRC, do IRS e do IVA.
Ainda que Portugal não consiga, pela sua escala, competir diretamente com os maiores produtores mundiais, como México e Estados Unidos, o caminho passa por investir em culturas diferenciadas que sirvam mercados que privilegiam a qualidade face ao volume.
Em 2025, as exportações nacionais de pequenos frutos atingiram €398 milhões, mais do que triplicando o valor registado há uma década.
Eduardo Bremm, Diretor de Operações da Driscoll’s em Portugal e Espanha, refere: “O país reúne uma combinação muito particular de condições climáticas, diversidade geográfica, perícia técnica e experiência agrícola que permite produzir pequenos frutos com elevados padrões de qualidade, reconhecidos nos mercados internacionais. É essa combinação – território, clima, inovação, saber e capital humano – que tem permitido afirmar o país como uma origem de referência para framboesas, mirtilos e amoras. Há 20 anos que estamos presentes em Portugal, acreditando a produção de pequenos frutos, e acreditando que o potencial deste setor deve continuar a ser desenvolvido lado a lado com os produtores, com foco na qualidade, na consistência e na sustentabilidade”.
“Os pequenos frutos representam também uma das formas mais naturais de «indulgência sem remorso»: um produto delicioso, fresco, altamente nutritivo, e que se enquadra naturalmente na riqueza da dieta mediterrânica. Esta é a nossa missão e foco do nosso trabalho: deliciar os consumidores com fruta de elevada qualidade, produzida em Portugal e reconhecida nos mercados mais exigentes", conclui.
Para o CEO da Lusomorango, Joel Vasconcelos, “o crescimento económico não dispensa responsabilidade territorial e social. O caminho de crescimento dos pequenos frutos em Portugal tem sido feito, em grande medida, pela visão dos produtores, que investem, procuram soluções para atrair e integrar mão de obra e inovam em práticas agrícolas cada vez mais sustentáveis. Mas é preciso que a esta visão se junte uma visão política que olhe de forma estratégica para a fileira. Para continuar a crescer, o setor precisa de políticas públicas estáveis, investimento em infraestruturas, simplificação administrativa e respostas equilibradas para os territórios onde a atividade está instalada”.

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