Informação profissional para a indústria alimentar portuguesa
Iniciativa europeia aposta em materiais de base biológica e soluções inteligentes para melhorar a reciclabilidade no setor alimentar

Redysign desenvolve embalagens circulares para carne fresca

25/03/2026

O projeto europeu Redysign está a investigar novas soluções para melhorar a sustentabilidade das embalagens alimentares, através do desenvolvimento de materiais recicláveis, adesivos e revestimentos de base biológica, bem como de tecnologias de identificação que facilitem a reciclagem. Estas inovações visam reduzir a dependência de plásticos de origem fóssil e promover sistemas de embalagem mais circulares, em particular em aplicações exigentes como a embalagem de carne fresca.

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A sustentabilidade das embalagens tornou-se um dos principais desafios para a indústria alimentar. A necessidade de reduzir o uso de plásticos derivados do petróleo, melhorar a reciclabilidade e, simultaneamente, garantir a segurança e a conservação dos alimentos está a impulsionar novas linhas de investigação em toda a Europa.

É neste contexto que surge o projeto europeu Redysign, uma iniciativa financiada pelo programa Horizon Europe que reúne centros de investigação, universidades e empresas com o objetivo de redesenhar os sistemas de embalagem alimentar numa perspetiva de economia circular.

O projeto é coordenado pelo VTT Technical Research Centre of Finland e conta com a participação de centros tecnológicos e de investigação como a Tecnalia, os RISE Research Institutes of Sweden e o Fraunhofer Institute for Process Engineering and Packaging IVV, bem como de universidades como a Lund University e a Aalto University.

O consórcio integra ainda empresas e organizações de diferentes pontos da cadeia de valor da embalagem e da alimentação, entre as quais a PackBenefit SL, a MetGen Oy, a McAirlaid’s, a Holoss – Holistic and Ontological Solutions for Sustainability, a Fábrica Nacional de Moneda y Timbre – Real Casa de la Moneda, a Fenix TNT e a Zabala Innovation, bem como operadores do setor alimentar e da distribuição, como a Atria e a Eroski.

Em conjunto, os parceiros desenvolvem novos materiais e tecnologias que permitam criar embalagens recicláveis desde a conceção, assegurando simultaneamente as características exigidas por aplicações como o acondicionamento de carne fresca.

Adesivos de base biológica para embalagens fibrosas

Uma das linhas de investigação centra-se no desenvolvimento de adesivos de base biológica para sistemas de embalagem à base de fibras.

Os adesivos habitualmente utilizados em embalagens alimentares têm, em grande parte, origem fóssil. Apesar do seu bom desempenho técnico, levantam desafios ambientais relacionados com a pegada de carbono e a dependência de recursos não renováveis.

Para responder a este desafio, investigadores do VTT estão a desenvolver adesivos a partir de matérias-primas de origem biológica. Mais concretamente, a equipa desenvolveu formulações à base de açúcares derivados da madeira, nomeadamente xilose e glicose. Estas formulações utilizam ácido cítrico como agente de reticulação e evitam o recurso a catalisadores adicionais, com o objetivo de minimizar a presença de substâncias potencialmente problemáticas em materiais destinados ao contacto com alimentos.

Os adesivos foram avaliados através de vários ensaios laboratoriais, com o objetivo de analisar a resistência da selagem e o comportamento face à humidade em diferentes materiais, como cartão ou estruturas combinadas de cartão e película. Os resultados indicam que algumas das formulações apresentam um desempenho promissor para aplicações em embalagens alimentares.

Após vários estudos, as formulações mais promissoras estão a ser avaliadas em protótipos reais...
Após vários estudos, as formulações mais promissoras estão a ser avaliadas em protótipos reais, nos quais o adesivo é utilizado para unir a tampa à bandeja. (a) Representação esquemática de um ensaio T-seal; (b) representação esquemática de um ensaio de cisalhamento por sobreposição (lap shear); (c) amostras de cartão e película testadas em laboratório com adesivo entre ambas as camadas.

Revestimentos de barreira de base biológica para embalagens de carne fresca

Outra linha de investigação centra-se no desenvolvimento de revestimentos de barreira de base biológica aplicáveis a embalagens fibrosas destinadas ao acondicionamento de alimentos.

No caso da carne fresca, as embalagens devem assegurar proteção contra o oxigénio, a humidade e a gordura, de forma a preservar a qualidade do produto durante o seu prazo de validade. Estas propriedades são geralmente obtidas através de estruturas multicamada que combinam cartão com camadas plásticas, o que dificulta a reciclagem.

Para ultrapassar este desafio, o projeto Redysign está a desenvolver revestimentos à base de biopolímeros que podem ser aplicados sobre suportes de cartão através de diferentes técnicas. O objetivo é melhorar as propriedades de barreira do material fibroso sem comprometer a sua reciclabilidade.

As primeiras avaliações experimentais incidem sobre a resistência destes revestimentos à humidade e às gorduras, dois fatores críticos em aplicações como a embalagem de carne fresca. O desenvolvimento destas soluções poderá viabilizar embalagens à base de fibras com características funcionais comparáveis às dos materiais multicamada convencionais, mas com menor dependência de plásticos de origem fóssil.

Identificação inteligente para melhorar a triagem de embalagens

Para além do desenvolvimento de novos materiais, o projeto Redysign investiga também soluções para melhorar a gestão das embalagens no final do seu ciclo de vida.

Um dos principais desafios na reciclagem de embalagens fibrosas provenientes do setor alimentar é a presença de resíduos de alimentos, gorduras ou outros contaminantes, que dificultam a sua correta triagem nas instalações de tratamento.

Para responder a este problema, os investigadores estão a desenvolver sistemas de identificação baseados em marcadores específicos integrados nos diferentes componentes da embalagem, como a bandeja, o material absorvente ou a película de selagem. Esta abordagem permite melhorar a rastreabilidade e facilitar a identificação nos processos de triagem automática.

No âmbito do projeto, foram desenvolvidos sistemas de deteção que combinam tecnologias espectroscópicas e de visão artificial, como Raman, NIR e análise de imagem RGB. Estas ferramentas permitem detetar tanto os marcadores incorporados na embalagem como a presença de contaminantes orgânicos – como sangue, óleos ou gorduras – em resíduos provenientes do acondicionamento de carne.

Exemplo ilustrativo de deteção baseada em Raman aplicada a embalagens de base fibrosa (visualização conceptual...
Exemplo ilustrativo de deteção baseada em Raman aplicada a embalagens de base fibrosa (visualização conceptual, não representando uma imagem real do projeto Redysign).
Um dos avanços mais relevantes foi o desenvolvimento de um marcador Raman pela Fábrica Nacional de Moneda y Timbre – Real Casa de la Moneda, posteriormente integrado em tabuleiros termoformados fabricados pela PackBenefit. Os ensaios realizados pela Tecnalia, tanto em condições estáticas como dinâmicas, demonstraram a capacidade destes sistemas para detetar os marcadores em ambiente industrial, confirmando o seu potencial para melhorar a triagem e a reciclagem de embalagens fibrosas.

A combinação de sensores espectroscópicos com sistemas de visão artificial permitiu ainda desenvolver modelos preditivos capazes de correlacionar informação visual com a composição química dos materiais, o que poderá melhorar a identificação de superfícies contaminadas e aumentar a precisão dos processos de triagem.

Tabuleiros da PackBenefit com marcadores a serem analisados, emitindo sinal Raman
Tabuleiros da PackBenefit com marcadores a serem analisados, emitindo sinal Raman.

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