Um novo protocolo clínico para reforçar o papel da nutrição nos cuidados oncológicos foi lançado em Portugal no âmbito do mês de sensibilização para o cancro. A iniciativa, desenvolvida por especialistas nacionais e apoiada pela Nestlé Health Science, pretende melhorar a identificação precoce da malnutrição e promover intervenções nutricionais sistemáticas ao longo do tratamento.
O protocolo foi desenvolvido no âmbito do programa ‘Oncocare’ pela médica e nutricionista Paula Ravasco, pela nutricionista Paula Alves e pelo médico oncologista Diogo Alpuim Costa, especialistas em nutrição clínica e oncologia. A proposta assenta numa abordagem padronizada, multidisciplinar e adaptável à realidade de cada instituição de saúde, alinhada com recomendações internacionais e com a Estratégia Nacional de Luta Contra o Cancro.
Segundo Paula Ravasco, a evidência científica indica que a malnutrição afeta entre 30% e 80% dos doentes oncológicos, estando associada a pior tolerância aos tratamentos, maior toxicidade, aumento de complicações e impacto negativo na qualidade de vida e na sobrevivência. Ainda assim, sublinha, continua a ser um problema frequentemente subdiagnosticado e subtratado. O novo protocolo pretende responder a essa lacuna, integrando a nutrição como um pilar essencial do tratamento oncológico.
De acordo com o comunicado, a iniciativa enquadra-se no compromisso da Nestlé Health Science com a nutrição clínica. A empresa destaca mais de 70 anos de experiência na área e a existência da maior rede privada de investigação especializada em nutrição, desenvolvendo soluções baseadas em evidência científica com impacto na qualidade de vida dos pacientes.
O protocolo ‘Via Verde da Nutrição Oncológica’ assenta em três eixos fundamentais: a identificação sistemática do risco nutricional desde o início e ao longo do tratamento antineoplásico; a avaliação da função muscular, considerada um indicador clínico relevante na evolução do doente oncológico; e a implementação de intervenção nutricional diferenciada, ajustada ao nível de risco identificado e envolvendo equipas multidisciplinares com formação específica em nutrição clínica.
Esta abordagem permite uma monitorização contínua e a implementação de intervenções nutricionais precoces e personalizadas, contribuindo para melhores resultados clínicos e funcionais, bem como para a manutenção da elegibilidade dos doentes para tratamentos ativos.
Citada no comunicado, Mafalda Quelhas, medical & scientific affairs manager da Nestlé Health Science, afirma que a nutrição deve ser encarada como “um direito humano fundamental” e como parte indissociável dos cuidados de saúde em oncologia. Segundo a responsável, o apoio ao desenvolvimento e disseminação do protocolo pretende contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas com doença oncológica e promover práticas clínicas mais integradas e baseadas na evidência científica.
De acordo com a empresa, o protocolo representa um passo na valorização da nutrição clínica no contexto oncológico e na promoção do acesso atempado a cuidados nutricionais adequados para todos os doentes.
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