Informação profissional para a indústria alimentar portuguesa
Estudo Nacional de Avaliação da Literacia Alimentar em Adultos

Mais informação, mas decisões alimentares continuam a ser um desafio

10/03/2026

A literacia alimentar da população adulta em Portugal apresenta um nível global de 57,5%, revelando que, apesar do acesso generalizado à informação sobre nutrição e alimentação, persistem dificuldades em transformar esse conhecimento em escolhas alimentares mais equilibradas. Os dados constam do 'Estudo Nacional de Avaliação da Literacia Alimentar em Adultos', apresentado esta terça-feira no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, e desenvolvido pela Associação Portuguesa de Nutrição (APN), com apoio do Continente e realização da Pitagórica.

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Os resultados evidenciam diferenças relevantes entre grupos populacionais. Jovens adultos, pessoas empregadas e agregados familiares com rendimentos mais elevados registam níveis de literacia alimentar superiores. Em contraste, pessoas idosas, indivíduos desempregados e famílias com rendimentos insuficientes apresentam valores mais baixos.

Segundo o estudo, estas diferenças refletem desigualdades sociais que influenciam diretamente a capacidade de aceder à informação, compreendê-la, avaliá-la e aplicá-la nas escolhas alimentares do dia a dia.

Diferenças marcadas entre grupos da população

Embora muitos participantes indiquem compreender parte da informação presente nos rótulos alimentares, nas datas de validade ou nas recomendações de profissionais de saúde, a sua aplicação prática continua a representar um desafio. Avaliar selos nutricionais, interpretar alegações presentes nos produtos, compreender informação sobre alergénios ou selecionar alimentos mais equilibrados são algumas das situações onde surgem maiores dificuldades.

Os resultados apontam, assim, para uma diferença entre o conhecimento disponível e a sua tradução em decisões alimentares concretas.

Consumo alimentar apresenta menor nível de literacia

Entre as várias dimensões analisadas, a área do consumo apresenta o score mais baixo, com 54,7%. Nesta vertente, os participantes revelam dificuldades em compreender o impacto social, económico e ambiental das suas escolhas alimentares.

O estudo identifica também limitações na perceção do efeito dessas decisões na preservação da biodiversidade ou no contributo que os hábitos alimentares podem ter para o desenvolvimento do território local.

Perante estes resultados, os autores destacam a necessidade de tornar a informação sobre nutrição e sustentabilidade alimentar mais acessível e prática, de forma a apoiar decisões mais conscientes por parte dos consumidores.

A recolha de dados foi realizada online entre 16 e 24 de outubro de 2025, junto de mil adultos residentes em Portugal continental e regiões autónomas, com 18 ou mais anos. O estudo apresenta uma margem de erro de ±3,2% e um nível de confiança de 95,5%. A investigação foi submetida e aprovada pela Comissão de Ética do Instituto Universitário de Ciências da Saúde – Centro de Estudos Superiores de Saúde (IUCS-CESPU).

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