Informação profissional para a indústria alimentar portuguesa

“A LFA é um evento diferenciador, com uma ampla oferta de oportunidades de negócio, sendo já uma referência no calendário internacional de feiras multissectoriais”

Jorge Henriques, presidente da FIPA e presidente do Conselho Estratégico da Lisbon Food Affair

Gabriela Costa31/01/2024

Numa grande entrevista de antevisão à Lisbon Food Affair, que as revistas iAlimentar e iFoods publicam como media partners do evento, Jorge Henriques garante que a FIL, em Lisboa, será, entre 4 e 6 de fevereiro, o palco onde as empresas do setor alimentar e bebidas, Horeca e máquinas, equipamentos e tecnologias para a indústria alimentar “se podem posicionar proactivamente e mostrar aos mercados as suas soluções, inovação, estratégia, marcas”. Neste “espaço de experienciação, onde o fator diferenciador é o acesso a networking privilegiado com profissionais do setor, o Prémio LFA INNOVATION 2024, que distingue o lançamento de produtos, equipamentos e tecnologia, é a grande novidade da LFA 2024.

LFA 2023 - © FIL È espectável que o setor de equipamentos e dos serviços para a indústria alimentar experimente um aumento no investimento...

LFA 2023 - © FIL

È espectável que o setor de equipamentos e dos serviços para a indústria alimentar experimente um aumento no investimento.

Que antevisão faz da 2ª edição da Lisbon Food Affair (LFA), no que respeita objetivos, expetativas de afluência, partilha de conhecimento e networking entre a indústria alimentar e de bebidas?

A boa recetividade do mercado, nomeadamente junto de novas empresas, permite-nos estar francamente otimistas no que diz respeito à concretização dos objetivos que traçámos para esta segunda edição, até porque decorre num momento muito desafiante para toda a fileira do agroalimentar, marcada pelas alterações nos hábitos de consumo registados no pós-pandemia, pela guerra na Europa e Médio Oriente, pelas dificuldades relacionadas com a logística e com o preço dos transportes, bem como pelo aumento da procura de produtos diferenciados, por oposição a uma oferta massificada.

Como sabemos, onde há mudança há oportunidades. Por isso, temos como expectativas que o evento se afirme como o palco onde as empresas se podem posicionar proactivamente e mostrar aos mercados as suas soluções, a sua inovação, a sua estratégia, as suas marcas; ser um espaço de experienciação, onde em tempo real, é possível perceber a reação e aceitação do mercado nacional e internacional à oferta apresentada.

Verificamos com muita satisfação que, neste momento, 48% das empresas inscritas participam pela primeira vez, nos vários setores, um sinal claro da necessidade de apresentar novos conceitos e projetos que enriqueçam e atraiam valor negocial ao setor agroalimentar e ao evento.

Outro indicador importante são os 23% de empresas internacionais diretamente representadas, sendo que este número será muito maior se tivermos em conta que a maioria das empresas vem de forma agrupada, e como tal, cada uma delas irá trazer várias empresas e marcas integradas. Para já os países representados são Brasil, Eslováquia, Espanha, França, Itália, Peru, Tunísia, Uruguai, Letônia e India, sendo que há perspetivas de poder contar com outros mercados.

De que modo a LFA 2024 “antecipa um dos mais relevantes espaços de debate sobre as tendências de mercado, o consumo, as novas geografias de negócio e o próprio futuro do setor”? Que temáticas estarão em destaque, nomeadamente sob as premissas da inovação e sustentabilidade?

A Lisbon Food Affair é uma feira de experienciação e, por isso, as atividades que se realizam durante o evento ocupam um lugar fundamental, como os workshops, talks, espaços e ações temáticas, showcookings e mostra de inovação. Sendo a inovação um dos eixos estratégicos, haverá um lugar destacado para uma mostra, com exposição permanente de produtos inovadores lançados no mercado em 2023/2024. Na LFA INNOVATION, as empresas que têm novos produtos ou equipamentos em lançamento no mercado português aproveitam esta oportunidade de divulgação que o evento promove e potencia junto da comunicação social e compradores profissionais. A abordagem aos temas da sustentabilidade, fatores ESG, gestão de desperdício no setor alimentar tem-se tornado cada vez mais relevante, devido à crescente conscientização global sobre questões ambientais e sociais. A Lisbon Food Affair conta com a colaboração de entidades parceiras que contribuem com conhecimento, formação e regulamentação destes temas. Há a necessidade de fazer chegar a informação às empresas e, por parte destas, a necessidade crescente de indicadores das melhores práticas. É com base nesta simbiose de interesses que a LFA se disponibiliza para colocar todos os players a debater temas como a redução do desperdício alimentar, a gestão da cadeia de abastecimento, a sustentabilidade e uso de novas tecnologias na produção, certificações sustentáveis, redução do uso de materiais nocivos e sua substituição por embalagens sustentáveis e recicláveis. E é todo este ciclo de conhecimento e interação entre as várias entidades e empresas que queremos trazer para o evento, colocando esse know-how à disposição de todos os parceiros.

A abordagem aos temas da sustentabilidade, fatores ESG, gestão de desperdício no setor alimentar tem-se tornado cada vez mais relevante

 

 

Que resultados da 1ª edição permitem à organização afirmar o evento como “o maior marketplace qualificado e inovador do setor?

A LFA realizou a sua primeira edição em Fevereiro de 2023 com um balanço positivo, permitindo afirmar-se como o mais importante evento que se realiza em Portugal, para os setores da alimentação e bebidas, canal horeca e máquinas, equipamentos e tecnologias para a indústria e distribuição alimentar, cumprindo o seu papel de montra de excelência e dinamizador da economia nacional.

A participação das cerca de 200 empresas, nacionais e internacionais, representando mais de 500 marcas, traduziu-se numa taxa de concretização de negócios acima dos 80% e numa intenção de retorno de participação para a 2ª edição acima dos 75%.

Já por parte dos visitantes profissionais, 73,3% deslocou-se à feira com intenção de fazer negócio, 87,1% afirma que a LFA contribui para a projeção e crescimento económico do sector; 92,2% tenciona repetir a visita na próxima edição em 2024 e 89,7% recomendaria a visita a outros profissionais do setor.

O objetivo proposto para a Internacionalização, um dos eixos estratégicos do evento, realizou-se igualmente com sucesso, através do programa de compradores internacionais e Hosted Buyers, que permitiu a realização de mais de 200 reuniões entre compradores internacionais e empresas participantes, que resultaram em negócios efetivos, realizáveis a curto prazo, para a maioria dos participantes.

Todos estes números dão-nos motivos de satisfação, mas aumentam a nossa responsabilidade de conseguir fazem melhor na próxima edição, e de aumentar o valor que entregamos às empresas e à economia destes setores.

Que novidades irão garantir que a LFA cresça enquanto uma importante feira profissional do sector agroalimentar em Portugal?

A Lisbon Food Affair tem como objetivo ser o marketplace quer para as empresas que pretendem novas oportunidades no mercado nacional, quer para aquelas que têm como objetivo expandir os seus negócios para novas áreas geográficas. O fator diferenciador da LFA é trabalhar para proporcionar às empresas o acesso a networking estratégico e privilegiado com profissionais do setor.

Para tal, a organização da LFA desenvolve um trabalho criterioso na seleção e validação de visitantes profissionais, nacionais e internacionais. Este trabalho permite às empresas aceder, com qualidade e rigor, a novos contactos de negócio e a novas oportunidades para expansão dos negócios.

Teremos a participação de várias tipologias de empresas e entidades no evento, desde start-ups a PME e empresas de grande dimensão, escolas profissionais e tecnológicas e empresas com projetos I&D, com dinamização de áreas temáticas e sectoriais. É resultado desse esforço, o LFA Food LAB, onde diferentes entidades apresentam projetos inovadores, promovendo as suas pesquisas e projetos I&D. Esta área oferece diversas oportunidades de visibilidade para além da exposição, como palestras e workshops técnicos, onde é possível partilhar conhecimento e descobertas com um público profissional diversificado.

Consideramos que a LFA é um evento diferenciador dada a ampla oferta de oportunidades de negócio que pode gerar, sendo já uma referência no calendário internacional de feiras multisetoriais, com capacidade de atrair compradores qualificados, nacionais e internacionais.

© FIL Jorge Henriques, presidente da FIPA e presidente do Conselho Estratégico da Lisbon Food AffairOnde há mudança, há oportunidades...
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Jorge Henriques, presidente da FIPA e presidente do Conselho Estratégico da Lisbon Food Affair

Onde há mudança, há oportunidades.

A automação na indústria agroalimentar portuguesa pode trazer benefícios significativos, mas o equilíbrio entre eficiência operacional, sustentabilidade e considerações sociais será crucial para o sucesso a longo prazo

Como avalia a automação da indústria agroalimentar portuguesa, através da dinâmica introdução de maquinarias, equipamentos e tecnologias?

Portugal é um dos países que nos últimos tempos mais investiu em automação, inovação e alteração dos activos industriais.

A avaliar a automação na indústria agroalimentar portuguesa, teremos de considerar o envolvimento de vários fatores como a eficiência operacional, o impacto económico, os valores de empregabilidade, fatores sociais e de carácter ambiental.

A automação pode aumentar a eficiência na produção, reduzindo o seu tempo, minimizando erros humanos e melhorando a qualidade dos produtos, ao mesmo tempo que optimiza o uso de recursos naturais, contribuindo para minimizar impactos ambientais. As empresas têm de se munir de maquinaria e tecnologia que poderá exigir um investimento inicial significativo, mas que a longo prazo, se espera que resulte em redução de custos operacionais e numa maior competitividade.

A gestão adequada da transição digital e para a automação é fundamental para mitigar possíveis impactos sociais negativos, como o desemprego e a necessidade de requalificação profissional para os trabalhadores.

A inovação adquire neste ponto um papel relevante e diferenciador, pois pode impulsionar a indústria agroalimentar, levando ao desenvolvimento de novos produtos, processos e modelos de negócios.

Em resumo, a automação na indústria agroalimentar portuguesa pode trazer benefícios significativos, mas é essencial abordar cuidadosamente os desafios sociais e garantir uma transição suave para maximizar os resultados positivos. O equilíbrio entre eficiência operacional, sustentabilidade e considerações sociais será crucial para o sucesso a longo prazo.

Enquanto FIPA, posso assegurar que procuraremos, neste ano que se inicia, colocar em evidência o esforço em investimento e dinamismo que a indústria portuguesa tem demonstrado na automação, na digitalização, na investigação científica e na renovação do parque industrial português.

Na sua opinião, acha que vai haver um aumento do investimento no setor dos equipamentos para a indústria alimentar nos próximos anos?

O sector agralimentar representa uma das fileiras estratégicas para a dinamização da economia nacional, e isso é revelado pelas várias estatísticas como números de exportação, criação de emprego ou inovação. Eventos como a LFA permitem aferir, por exemplo, o grau de inovação que caracteriza a indústria alimentar, tendências, avanços tecnológicos, e daí são decorrentes fatores que podem determinar o aumento de investimento.

É espectável que o setor de equipamentos e dos serviços para a indústria alimentar possa experimentar um aumento no investimento, especialmente se houver uma convergência de fatores que incentivem a modernização e a eficiência na produção de alimentos. Contudo, a decisão de investir dependerá das estratégias individuais das empresas e das condições específicas do mercado em Portugal e globalmente.

Os mercados português e espanhol são por natureza mercados de proximidade, de ligação natural e de extensão de negócio

Na sua perspetiva, em que medida necessitam as empresas da indústria alimentar e de bebidas ibérica participar em programas de Hosted Buyers, com vista à internacionalização dos seus negócios? Qual é a expectativa face aos compradores espanhóis já inscritos na LFA 2024?

As ligações entre os mercados português e espanhol na indústria alimentar são significativas devido à proximidade geográfica, à história compartilhada e à integração económica na União Europeia. São por natureza mercados de proximidade, de ligação natural e de extensão de negócio. E essa condição é válida nos dois sentidos embora, é óbvio, o potencial de consumo e consequentemente, a escala de negócio ser maior do lado espanhol.

No entanto, as nossas especificidades distinguem-nos enquanto produtores de excelência e, do ponto de vista da inovação, com produtos diferenciadores, com uma elevada notoriedade nos mercados externos. Estes fatores colocam-nos numa posição que nos permite concorrer em mercados similares.

O comércio entre Portugal e Espanha envolve tanto exportações como importações, com uma presença significativa, mas ambos necessitam de internacionalizar as suas empresas, produtos e assegurar exportações. Estes programas tornam-se essenciais quando a internacionalização é o objetivo, proporcionando oportunidades para crescimento, diversificação e inovação. As empresas podem explorar sinergias comerciais e alcançar novos mercados.

Na LFA o programa de Hosted Buyers e de compradores internacionais é um dos pilares estratégicos para o evento e para as empresas participantes. Neste momento já são mais de 30 os mercados emissores internacionais inscritos para esta edição de 2024, com compradores de países como Alemanha, Angola, Arábia Saudita, Argentina, Bahrain, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Chipre, Colômbia, Espanha, Emirados Árabes Unidos, Equador, França, Grécia, Hong Kong, India, Irlanda, Itália, Lituânia, Marrocos, México, Omã, Países Baixos, Polónia, Reino Unido, Roménia, Tunísia, Turquia, USA, Uruguai.

Especificamente, do mercado espanhol, a Lisbon Food Affair tem, nesta fase, inscritos sete compradores, que procuram em Portugal e também junto de empresas internacionais que participam no evento, as tipologias de produto: bebidas com e sem Álcool, snacks e doces, vinhos, azeites, mel e derivados, produtos de mercearia, molhos, vinagres e condimentos, óleos e derivados, ovos e derivados de ovo, produtos Halal e Kosher, produtos Free From, produtos gourmet e delicatessen, produtos Bio e Vegan.

LFA 2023 - © FIL Os programas de Hosted Buyers tornam-se essenciais quando a internacionalização é o objetivo
LFA 2023 - © FIL

Os programas de Hosted Buyers tornam-se essenciais quando a internacionalização é o objetivo.

Por último, e enquanto presidente da FIPA, quais são os principais desafios que a indústria alimentar e das bebidas enfrenta?

Diria que teremos pela frente um período extremamente desafiante. A inflação deverá manter-se em alta em muitas das matérias-primas alimentares e teremos fatores que poderão colocar maior pressão, nomeadamente o acesso a determinadas matérias-primas, os custos de transporte alterados pelos valores da energia e dos combustíveis, o abrandamento económico de alguns países, a conjuntura internacional, que não em nada melhorou. Estes são, naturalmente fatores extremamente preocupantes e que retiram a competitividade necessária a um sector como o agroalimentar, que é estruturante para o nosso país.

Temos reforçado junto das entidades governativas uma maior participação do Estado, de quem esperamos instrumentos que atendam às preocupações deste setor. Este é um desafio que nos acompanha constantemente. Devido ao aumento verificado nas taxas de juro, comprometeu-se os níveis de consumo das famílias, o que se traduz num abrandamento da atividade económica e na faturação das empresas.

No entanto, o sector espera continuar a crescer nas exportações, estimando ultrapassar os dez mil milhões de euros em vendas para o exterior num prazo estimado de três anos.

LFA INNOVATION 2024 distingue lançamento de tendências de mercado

O LFA INNOVATION 2024 é uma das novidades nesta edição do evento. O Prémio tem como objetivo apoiar o esforço das empresas na conceção, desenvolvimento e lançamento no mercado de novos produtos de Food & Beverage, canal horeca, mas também equipamentos e tecnologia para a indústria alimentar.

Em resultado da participação na Lisbon Food Affair, a organização convidou as empresas e entidades a candidatarem os seus produtos, equipamentos ou serviços, de carácter inovador e lançamentos recentes no mercado nacional. Serão dados a conhecer o tipo de inovação bem como as tendências de mercado em que cada produto, equipamento ou serviço se destaca – saúde, praticabilidade, sabor, sustentabilidade, tecnologia.

Estes produtos merecem destaque no evento com um espaço inteiramente dedicado na área de exposição. Participar na LFA INNOVATION permite potenciar a notoriedade das marcas, valorizar os produtos, diferenciar e posicionar a empresa como geradora de inovação, captar o interesse dos compradores nacionais e internacionais e, ainda, aumentar de forma significativa a divulgação e presença nos meios de comunicação social.

Serão atribuídos selos de inovação às empresas cujas candidaturas sejam validadas pelo júri constituído para esta iniciativa. Esta distinção oferece uma diferenciação que atesta o carácter inovador de cada produto, equipamento ou serviço.

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