Informação profissional para a indústria alimentar portuguesa

PME portuguesas podem ganhar maior competitividade se apostarem na economia circular

22/06/2022

Associação Smart Waste Portugal apresenta resultados do projeto 'Be Smart - Be Circular'.

foto
A taxa de circularidade média na União Europeia era de 12,8% em 2020, enquanto que em Portugal, no mesmo ano, a média era de 2,2% (dados Eurostat). Com base neste contexto foram identificadas lacunas na capacidade das PME nacionais em conceber e implementar medidas para a sua transição circular.

Foi nesse sentido que a Associação Smart Waste Portugal (ASWP) criou o projeto ‘Be Smart - Be Circular’ cujo objetivo estratégico é o de sensibilizar, dinamizar e capacitar as PME nacionais para que estas conseguissem aumentar a circularidade nas suas atividades.

O projeto pretende dotar as empresas de conhecimento, informação e ferramentas que contribuam para a transformação empresarial, numa ótica de transição para a Economia Circular. Com base em atividades e sistemas inovadores que permitem criar um sistema de troca de resíduos e matérias-primas, o projeto tem igualmente como objetivo a maximização do aproveitamento económico dos resíduos, diminuindo a necessidade de extração de recursos e os seus impactos ambientais negativos.
Por forma a atingir estes objetivos e fazer face às falhas de mercado identificadas, a Associação Smart Waste Portugal apresenta as principais iniciativas realizadas ao abrigo deste projeto, de diferentes âmbitos em termos de PME e com relevância para o setor dos resíduos, nomeadamente: o Guia de Boas Práticas Circulares para os Serviços; o Estudo para avaliação do potencial da desclassificação de resíduos e a Plataforma digital de subprodutos myWaste.
Segundo Aires Pereira, Presidente da Direção da Associação Smart Waste Portugal, “temos de ter a consciência de que o desperdício de uns pode perfeitamente ser a matéria-prima de outros e é este caminho da circularidade que Portugal e as suas PME terão de percorrer, com a noção de que o futuro passa já pelo presente. Enquanto associação queremos, através de projetos como o ‘Be Smart – Be Circular’, que a Economia Circular seja aplicada em todos os setores, incluindo também o setor dos serviços, muitas vezes esquecido, pois só assim aumentaremos a nossa taxa de circularidade e nos aproximaremos da média europeia”.

Guia de Boas Práticas Circulares para os Serviços

No que diz respeito ao Guia de Boas Práticas Circulares para os Serviços este tem como intuito sensibilizar, dinamizar e capacitar as empresas nacionais, dotando-as de conhecimento, informação e ferramentas que contribuam para a transformação empresarial, numa ótica de transição para a Economia Circular, com enfoque no setor dos serviços e nas PME.

Assim, são sistematizadas as boas práticas circulares em contexto empresarial, com recomendações que podem ser aplicadas de forma transversal em múltiplas vertentes do setor dos serviços, o que faz deste guia uma ferramenta prática para a gestão empresarial. Destina-se a explicar, de forma sucinta, como incrementar a competitividade e sustentabilidade das empresas nacionais face à concorrência internacional, através de práticas que potenciem: a redução de custos; uma menor pressão sobre os recursos naturais e energéticos, a aquisição de bens e serviços locais em detrimento de importações; surgimento de novas PME dedicadas a soluções circulares e a uma melhor e mais sustentável relação com os diversos stakeholders.

Avaliação do potencial da desclassificação de resíduos

Quanto ao estudo para avaliação do potencial da desclassificação de resíduos, este pretende promover uma melhor compreensão do contexto nacional e europeu ao nível dos mecanismos de desclassificação de resíduos e identificar as prioridades nacionais no que respeita a atividades económicas com maior potencial de desclassificação de resíduos. Em suma, este estudo agrega informação relevante no que respeita a regulamentação, legislação, procedimentos e boas práticas no setor, esperando contribuir para a definição de linhas orientadoras e de suporte à transição do tecido empresarial nacional para um modelo de economia circular, apresentando um guia simples e prático para apoiar o tecido industrial nestes processos.

Foram identificados três setores prioritários para a desclassificação de resíduos (construção, fabricação de produtos químicos e de fibras sintéticas e artificiais e a fabricação de têxteis, indústria do vestuário, do couro e dos produtos de couro) podendo estes ser o motor da transição para a economia circular em Portugal através do foco de esforços na aceleração dos mecanismos de desclassificação.

foto

Plataforma digital de subprodutos myWaste

A terceira iniciativa, a Plataforma digital de subprodutos myWaste, visa ser uma ferramenta que permita dar resposta e promover a aceleração das taxas de reciclagem dos diferentes fluxos de materiais, uma vez que só assim é possível atingir a circularidade. A myWaste consiste numa rede B2B de partilha de uma bolsa nacional de resíduos/subprodutos/FER (Fim do Estatuto de Resíduos) passíveis de serem valorizados, numa lógica de Marketplace. Estes poderão ser provenientes de setores distintos. Esta pretende inspirar a valorização, a economia circular, a redução de desperdício e a reutilização, sendo que cada entidade poderá gerir e otimizar os seus recursos, estando disponíveis diferentes funcionalidades para a gestão do desperdício gerado. A associação acredita que esta plataforma, de âmbito nacional, possa constituir uma mais-valia a vários níveis, vindo resolver parte da crise das matérias-primas, inspirando a valorização, a economia circular, a redução de desperdício e a reutilização.

No âmbito do projeto, foram ainda realizados um conjunto de workshops de Eco Design Circular, tendo a primeira sessão decorrido em Évora no dia 21 de outubro de 2021, em parceria com a CCDR Alentejo e o LNEG, e a segunda sessão a 4 de novembro de 2021, em Leiria, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria. As sessões contaram com a participação de profissionais ligados ao design de produto, gabinetes de design, arquitetura e engenharia, entre outros.

Recordamos ainda alguns dados que demonstram a pertinência do aumento da taxa de circularidade em Portugal:

  • o setor dos serviços representava, em 2019, 75% do valor acrescentado bruto; segundo o estudo de 2020 da Capgemini1 na área de bens de consumo e retalho, a sustentabilidade é um motivo de preferência para 79% dos consumidores, e 66% escolhem comprar produtos ou serviços com base em questões de respeito pelo ambiente;
  • os empregos associados à Economia Circular cresceram 5% na UE entre 2012 e 2018 (atingindo cerca de 4M), estimando-se que a aplicação da Economia Circular (EC) tenha um potencial de contribuição para o aumento do produto interno bruto (PIB) da UE em 0,5% em 2030, criando cerca de 700 mil postos de trabalho (CEAP, 2020), e as estimativas europeias para Portugal apontavam para a existência de 57 000 postos de trabalho diretos em 2012 relacionados com atividades de EC, bem como a criação de 36 000 empregos diretos até 2030 (PAEC, 2017).

Os resultados do projeto 'Be Smart – Be Circular' foram apresentados numa conferência subordinada ao tema 'Inovação e Ferramentas' para a Economia Circular que teve lugar no Centro para a Valorização de Resíduos (CVR), em Guimarães, no passado dia 7 de junho.

1'Consumer Products and Retail: How sustainability is fundamentally changing consumer preferences''

Exposalão - Centro de Exposições, S.A. : expo Alimenta

Subscrever gratuitamente a Newsletter semanal - Ver exemplo

Password

Marcar todos

Autorizo o envio de newsletters e informações de interempresas.net

Autorizo o envio de comunicações de terceiros via interempresas.net

Li e aceito as condições do Aviso legal e da Política de Proteção de Dados

ialimentar.pt

iAlimentar - Informação profissional para a indústria alimentar portuguesa

Estatuto Editorial