Informação profissional para a indústria alimentar portuguesa
Artigo exclusivo para a revista iALIMENTAR

Codificação no setor alimentar

João de Castro Guimarães | Diretor Executivo da GS1 Portugal20/10/2021
Há 50 anos, em 1971, líderes de algumas das maiores empresas produtoras internacionais, nomeadamente, Heinz, General Mills, Kroger e Bristol Meyer, reuniram-se em Nova Iorque para criar a sequência numérica que transformaria a economia global para sempre: o Global Trade Item Number, conhecido como GTIN.
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Esta sequência numérica consubstancia o ADN da codificação porque permite identificar, de forma única, inequívoca e global cada produto. É a matriz do código de barras, o standard da cadeia de valor mais importante da história, tendo inaugurado a era da distribuição moderna. Hoje, o GTIN é lido mais de seis mil milhões de vezes por dia e é considerado um dos mais importantes alicerces da economia mundial pelo seu potencial de acréscimo de eficiência.

Com os consumidores a exigirem cada vez mais e melhor informação sobre os produtos, a GS1 continua a adaptar o seu Sistema de Standards para uma resposta a essa necessidade, continuando, no entanto, o GTIN a ser elemento fundamental das soluções encontradas. Os desenvolvimentos registados a este nível, de que é exemplo a codificação bidimensional, com o GS1 Data Matrix, permite oferecer já, com o GTIN, muito mais informação do que a contida num código de barras, por exemplo, permitindo revelar aos consumidores, no setor agroalimentar, se um produto contém alérgenos e se é biológico, ou conter informação sobre o seu impacto ambiental, sobre se determinada espécie de peixe tem origem numa massa de água protegida, com limitações à captura, ou não.

De facto, no setor alimentar, o GTIN e a codificação em geral são elementos fundamentais à garantia de qualidade e segurança alimentar ao longo de toda a cadeia de valor. Ao garantirem a respetiva rastreabilidade, em tempo real, permitem a partilha de informação, facilitando a relação entre parceiros de negócio e otimizando a eficiência de processos com benefícios transversais, com impacto real ao longo de toda a cadeia de abastecimento: desde os fornecedores de matérias-primas aos consumidores.

À restante informação contida em embalagem e à etiqueta de preço, a codificação no setor alimentar acrescenta dados que permitem o controlo do ciclo de vida do produto, com base nas regras de atribuição do GTIN, permitindo identificar produtos ativos ou deslistados no mercado, que registem alterações significativas na dimensão das embalagens, com possível impacto na gramagem ou alteração significativa de receita. Neste aspeto em particular, e em termos de saúde, essas alterações podem ter impacto em termos da eventual presença de alérgenos, informação fundamental à saúde de alguns consumidores com condições específicas.

Ora, se os benefícios são visíveis em circunstâncias normais, são ainda mais evidentes em circunstâncias excecionais, caso se registem falhas no processo produtivo ou de distribuição que coloquem em risco a saúde pública ou a segurança alimentar e exijam a retirada de produtos do mercado: a codificação permite a intervenção direcionada, incisiva, granular até ao nível da unidade de produto, caixa, palete ou lote a retirar, evitando situações de desperdício de bens com qualidade assegurada, ruturas do processo de distribuição e danos alargados em termos produtivos e de reputação.

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Diretor Executivo da GS1 Portugal, João de Castro Guimarães, aborda neste artigo a codificação do setor alimentar.

A codificação é, pelos ganhos em eficiência que proporciona no setor alimentar, uma aliada estrutural da Estratégia apresentada em 2020 pela Comissão Europeia 'Do prado ao prato', como uma das principais ações do Pacto Ecológico Europeu. Ao gerar eficiência, a codificação acrescenta um contributo decisivo para alcançar a neutralidade carbónica até 2050, assente na transição do atual sistema alimentar para um modelo sustentável em larga medida assente nos pressupostos da economia circular.

Este modelo, aplicado ao setor alimentar, obriga a repensar a produção, a distribuição e consumo, reinventando todo o ecossistema, anulando silos. Dispor de dados de qualidade, de informação de produto rigorosa, acessível e interoperável será um recurso estruturante. O recurso a uma linguagem comum é a única forma de obter o nível de eficiência necessário à Economia Circular, em particular porque os dados serão essencialmente tratados com recurso a Inteligência Artificial, por sistemas informáticos. É também por isso que a codificação é tão importante neste setor.

Transpondo a conceptualização para a realidade, estes princípios permitem, de facto, já na atualidade, na experiência de muitas empresas a operar no setor alimentar, entre produtores de matérias primas, fabricantes de produtos embalados e operadores do retalho, evitar desperdício e agilizar a economia circular conduzindo para subcategorias ou categorias paralelas produtos que esgotem a sua viabilidade na categoria de origem: por exemplo, a condução de fruta fresca embalada para fruta fresca descascada e laminada, pronta a comer, ou para a produção de compotas; a condução de peixe ultracongelado para produção de refeições pré-cozinhadas ou para conservas, entre tantos outros exemplos.

Estamos, de facto, já muito além do previsto no Regulamento (UE) nº 1169/2011 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 2011, que determina que os fornecedores e os distribuidores de produtos alimentares disponibilizem aos consumidores informações detalhadas sobre as caraterísticas dos produtos, online e no linear.

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Estamos a inaugurar uma nova era em que a informação de produto, os dados, e o seu potencial deixam antever um impacto verdadeiramente transformacional no modelo de produção, distribuição e consumo, que permitirá a sustentabilidade do modelo, assente nos pressupostos da economia circular. A codificação está a acompanhar esta necessidade, com recurso a inovação e digitalização, materializadas, por exemplo, na codificação bidimensional e em soluções de certificação da qualidade dos dados de produto, de que são exemplo a criação de um bilhete de identidade de produto, a plataforma de sincronização Sync PT Activate, o serviço especialista de dados Validata e a solução de verificação da qualidade de dados Verified by GS1. Estes são recursos ao dispor da comunidade empresarial do setor alimentar, estruturante para a economia portuguesa e que permitirão fazer face com sucesso às oportunidades que o futuro oferece.

A GS1 Portugal

A GS1 Portugal – Codipor é a organização responsável pela introdução do código de barras em Portugal há 35 anos.

É uma associação de direito privado, sem fins lucrativos, neutra e multissetorial, declarada entidade de utilidade pública.

Cerca de 9000 empresas aderiram e acreditam no Sistema de Normas GS1 para transformar a maneira como trabalhamos e vivemos. Somos uma das 115 organizações-membro da GS1 e a entidade autorizada para gerir o Sistema GS1 de Standards Globais em Portugal.

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