Informação profissional para a indústria alimentar portuguesa
Artigo exclusivo para a revista iALIMENTAR

Segurança alimentar e segurança dos alimentos

Odete de Almeida | Presidente da EFRIARC11/10/2021
Comecemos por distinguir Segurança Alimentar de Segurança de Alimentos. Este último está definido na ISO 22000 como: “garantia de que o alimento não causará efeitos adversos à saúde do consumidor quando preparado e/ou consumido de acordo com o uso pretendido”. Enquanto que podemos referir Segurança Alimentar como: "um direito de todos ao acesso do alimento de qualidade com um alto teor nutricional e em quantidade suficiente para garantir uma vida saudável".

Um pouco de história

O termo ‘Segurança Alimentar’ começou a ser utilizado na Primeira Guerra Mundial na Europa. Com a traumática experiência da guerra, tornou-se claro que um país poderia dominar o outro controlando o fornecimento de alimentos. Os países incapazes de produzir alimentos suficientes para saciar a fome da sua população dependiam da ajuda das grandes potências. Então, as nações perceberam que controlar a distribuição de comida dos países era a melhor forma de fazer um inimigo sucumbir. A alimentação passou, assim, a ser uma arma poderosa! Esta constatação começou a adquirir um significado de segurança nacional para cada país, apontando deste modo para a necessidade da criação de provisionamento estratégico de alimentos, e reforçando a ideia de que a soberania de um país dependia também da sua capacidade de autofornecimento de alimentos [1]. Pode-se, portanto, deduzir, que “segurança alimentar” é um termo de origem militar.

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Banco Mundial de Sementes. Fonte: Svalbard Global Seed Vault.

A importância da segurança alimentar

“Que o seu remédio seja o seu alimento, e que o seu alimento seja o seu remédio”, quando Hipócrates (460 a.C.-377 a.C.) proferiu esta frase, provavelmente já tinha consciência de que boa parte dos problemas da saúde humana vem do consumo de alimentos, assim como um bom estado de saúde, depende de alimentos saudáveis.

Em toda a cadeia produtiva pela qual os alimentos passam, existem riscos de contaminação que poderão comprometer a saúde do consumidor. Por esse motivo, a segurança dos alimentos começou a ser prioritária nas empresas que atuam neste setor. Muito embora os alimentos corram o risco iminente de contaminação em qualquer etapa produtiva, as variações de temperatura, os choques por manipulação incorreta e incisões nas embalagens são alguns dos principais obstáculos que a indústria alimentar tenta solucionar.

Por conta desses riscos, a contaminação química, física ou biológica poderá acontecer, e consequentemente, uma Doença Transmitida por Alimento (DTA) será capaz de atingir o consumidor [2]. Face a esta ameaça, as empresas dos setores do retalho, hotelaria e processamento tentam garantir que seus produtos atendam aos requisitos mínimos de sanidade aplicáveis e que estes sejam seguros para consumo, tal como, as empresas que estão no topo da cadeia de abastecimento, também tentam apresentar evidências de que as suas instalações são seguras.

Garantia da qualidade

A gestão interna dos produtos e o controle de qualidade na indústria de alimentos servem para assegurar a saúde do consumidor. Já sabemos que o processo industrial acarreta riscos, por isso, existem critérios validados e certificados para que o alimento seja vendido com segurança [3].

Além da garantia contra contaminações por danos mecânicos, biológicos, químicos e outras caraterísticas prevista na ISO 22000 e que se refere à garantia da qualidade do produto que consumimos, um alimento necessita de passar por testes para legitimar a sua comercialização. Cada parte responsável do setor, seja no fornecimento de matéria-prima, processamento dos alimentos, armazenamento, equipamentos, transporte ou venda, deverão cumprir a norma, assim como comprometer-se com as boas práticas de segurança e qualidade que passam por exemplo por:

  • certificar a empresa;
  • contratar colaboradores qualificados;
  • manter equipamentos de acordo com leis e normas nacionais e internacionais;
  • integrar e auditar processos;
  • aprimorar processos e melhorias;
  • investir em pesquisa e desenvolvimento.

As principais tendências

Os consumidores estão cada vez mais conscientes. Se há alguns anos era raro encontrar alguém que lesse os rótulos dos produtos, hoje a situação é totalmente diferente, a maioria das pessoas leem os rótulos e interessam-se pela segurança alimentar.

Para proporcionar confiança nos consumidores é necessário atuar com transparência. Os consumidores sentem mais segurança em marcas que revelam como as suas indústrias funcionam [2]. Além disso, as empresas estão mais conscientes de que a qualidade e a segurança dos alimentos oferecidos aos consumidores são importantes para a sua imagem e reputação.

Outra tendência muito importante é ser mais 'amigo do ambiente'. A exemplo, salienta-se o papel das embalagens – um fator que gera uma perceção maior e imediata ao consumidor no que diz respeito à sustentabilidade. Além do aspeto da reciclagem/conservação e contribuição para a economia circular, a indústria alimentar finalmente, assimilou a relevância da embalagem na comunicação com o consumidor.

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Conclusão

A disponibilidade dos alimentos, o acesso das populações aos mesmos e um consumo adequado do ponto de vista nutricional são fatores basilares sobre os quais assenta o conceito de Segurança Alimentar. As alterações climáticas, a escassez de recursos naturais e a degradação dos solos por ação humana são algumas das ameaças que colocam em perigo a segurança alimentar, além dos atuais efeitos socioeconómicos das guerras políticas.

A garantia de que todas as pessoas tenham acesso físico, social e económico permanente a alimentos seguros, nutritivos e em quantidade suficiente para satisfazer as suas necessidades nutricionais, é uma vontade que globalmente, os Estados, sociedade e empresas terão que ostentar e concretizar ainda mais, para não nos desviarmos neste longo caminho em direção a uma vida digna e saudável da população mundial.

Referências

[1] Maluf, Renato. "Caderno 'Segurança Alimentar'" (PDF). Universidade de Brasília. Consultado em 12 de dezembro de 2016.

[2] http://blogdasegurancaalimentar.volkdobrasil.com.br/papel-da-industria-para-garantir-a-seguranca-alimentar

[3] https://www.asae.gov.pt

LFA

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