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Portos são infraestruturas críticas no futuro que se avizinha

23/06/2022
Para Hugo Mendes os portos são essenciais para que o peso das exportações no PIB cresça na próxima década. Mas, para isso, têm que ter condições para crescer e modernizar-se.
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Hugo Mendes, secretário de Estado das Infraestruturas

“Vivemos um momento muito grave para a economia mundial e, em particular, para o mercado agroalimentar, efeito do aumento dos preços da energia e dos combustíveis, mas efeito também do facto de a Rússia e a Ucrânia serem 2 dos maiores produtores de cereais do mundo - em especial de trigo, cereal que estes 2 países juntos produzem mais do que toda a União Europeia”, lembrou Hugo Mendes, secretário de Estado das Infraestruturas, ontem, aquando do encerramento da conferência Encontros no Porto: “Mercado Agro-alimentar no Porto de Lisboa”, organizada pelo Porto de Lisboa.

O governante lembrou ainda que Portugal “depende bastante da importação de cereais e temos de estar preparados para que o aumento dos preços se prolongue por tempo indeterminado”, principalmente porque “é provável que a capacidade de produção e de escoamento a partir do leste Europeu se deteriore e que a disrupção das cadeias logísticas se mantenha ou mesmo se aprofunde nos próximos meses”.

Situação que, por enquanto não foi sentida no mercado nacional porque, segundo Hugo Mendes, os carregadores nacionais conseguiram, para já, encontrar mercados alternativos. É o caso do Brasil. No entanto não se sabe como e quando os mercados de fornecimento estarão de novo estabilizados.

Face a isto o secretário de Estado considera que o desafio passa, por isso, por fazer melhor tudo aquilo que conseguimos controlar e procurar garantir a importação e exportação de matérias-primas da forma mais eficiente e segura possível. E é aqui que as infraestruturas portuárias “são críticas”.

“O Porto de Lisboa é central no contexto nacional, porque é o Porto que mais granéis sólidos agro-alimentares movimenta e porque tem uma longa tradição na receção e armazenamento de cereais. É, por isso, muito importante garantir que a atividade do Porto de Lisboa se desenrola da melhor forma possível no difícil contexto que se avizinha”, afirmou Hugo Mendes, que acrescenta que o governo está ciente que são necessários investimentos de modernização das infraestruturas portuárias. No entanto também alertou que os mesmos demoram tempo a ser concretizados. Razão pela qual defende que os atores da comunidade portuária devem encontrar a melhor forma de responder às necessidades e aos desafios mais prementes com os recursos que têm atualmente ao seu dispor.

Sobre a situação específica do Porto de Lisboa, Hugo Mendes afirmou que o governo sabe que para reforçar a importância do Porto de Lisboa na movimentação e no armazenamento de granéis agro-alimentares, é importante lançar os novos procedimentos para as 5 concessões de serviço público dos terminais que movimentam esses produtos - e em particular, resolver a situação da Silopor, para a qual o governo está a avaliar de vários cenários. Por outro lado, “sabemos também, como é importante melhorar o tráfego fluvial e a integração com o transporte ferroviário para aumentar as importações e as exportações por via marítimo-ferroviária; sabemos como é importante capacitar os recursos humanos; e sabemos a importância de melhorar a integração dos terminais nos territórios, demonstrando a sua importância para a economia local e nacional”.

E se é verdade que, como reconheceu o secretário de Estado, a globalização das trocas comerciais levou a uma maximização da eficiência que, por seu lado, colocou o critério da segurança - em sentido estratégico - para segundo plano. “Segurança traduzida no armazenamento de alimentos, de energia, de informação custa dinheiro, obriga a criar redundâncias e a imobilizar de recursos que podiam ser rentabilizados de outra forma. Quando tudo se pode comprar e vender nos mercados internacionais, para quê preocuparmo-nos com a escassez de bens?”, constatou.

No entanto Hugo Mendes alertou que a realidade atual está aí para mostrar o perigo desta visão. “Talvez ela fosse válida num mundo em que a geopolítica, os conflitos entre Estados, ou o uso do Estado como ator económico internacional agressivo não existissem; num mundo em que a economia substituísse por completo a política, a busca da eficiência poderia ser o critério único nas relações comerciais.”

Só que esse mundo nunca existiu e nunca existirá. Pelo que países e empresas “terão de aprender gerir o binómio eficiência-segurança de modo diferente do passado”.

No caso específico do agro-alimentar Hugo Mendes considera que a valorização da segurança pode levar a duas situações:

  1. Por outro lado, a que as democracias, e as empresas que nelas operam, passem a olhar não apenas para o preço, mas também para a origem geopolítica de determinados bens essenciais, procurando uma maior independência em relação a regimes que violam alguns dos nossos valores nucleares.
  2. Uma segunda consequência da maior atenção dada ao valor da segurança de abastecimento de produtos essenciais, que é atribuir uma importância ainda maior àquelas que são as infraestruturas críticas pelo qual esses produtos entram e saem, onde eles são armazenados e, em alguns casos, transformados.

E aqui “claramente” os portos fazem parte destas infraestruturas críticas, “razão pela qual o MIH bater-se-á sempre pela necessidade de atrair e de canalizar para os nossos portos mais investimento reprodutivo e transformador”, afirmou Hugo Mendes, acrescentando que “se queremos que o peso das exportações no PIB cresça ao longo desta década, teremos que garantir que os nossos portos - por onde sai a maioria das nossas exportações de bens - têm condições para crescer e modernizar-se”.

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